sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Discussão do PDDU entra na Reta Final

O presidente da Câmara Municipal de Salvador, vereador Valdenor Cardoso (PTC), abriu, na madrugada, o processo de segunda votação dos artigos do projeto mesmo com os pedidos de verificação de quorum por parte de alguns vereadores. Apesar dos fortes protestos dos vereadores Olívia Santana (PCdoB), Aladilce Souza (PCdoB), Virgílio Pacheco (PPS), Vânia Galvão (PT), Paulo Câmara (PSDB), José Carlos Fernandes (PSDB) e Celso Cotrim (PSB), ele prosseguiu como se não estivesse ocorrendo manifestação alguma. E, por isto, os edis citados se retiraram do Plenário.
O processo de votação na Câmara dos Vereadores foi polêmico com acusações da chamada bancada de oposição ao PDDU (PT, PSB, PCdoB, PPS e PSDB) que afirmou de forma peremptória ter havido desrespeito ao Regimento Interno da Câmara de Vereadores e à Lei Orgânica do Município. Os vereadores destes partidos entrarão com recursos na Justiça pedindo a nulidade das Sessões e, conseqüentemente, da votação do projeto.
Segundo o artigo 229 do Regimento Interno da Câmara Municipal de Salvador, o Presidente da Casa só poderia ter convocado sessões extraordinárias se Salvador estivesse em Estado de Sítio ou se a capital baiana estivesse sob intervenção federal. Além disto, ainda segundo o Regimento, a Câmara só poderia ter funcionado, extraordinariamente, depois de 10 dias da publicação do Edital de Convocação. Nenhum destes requisitos foi observado. Na última quarta-feira, dia 26 de dezembro, teve fim o ano legislativo. O presidente da Casa justificou a convocação através do sexto parágrafo do artigo 95, no qual está escrito que o presidente poderá convocar sessões extraordinárias dentro do período ordinário sem ônus para a Câmara de Vereadores.
"É lamentável, é sujo, termos uma Casa representando 2,8 milhões de pessoas se utilizar de métodos tão vis para aprovar este projeto", afirmou o líder do bloco contrário ao PDDU, o vereador Virgílio Pacheco do PPS, referindo-se às manobras utilizadas pelos vereadores governistas, aliados aos edis dos Democratas e do PTC para aprovar o Plano Diretor. O vereador Celso Cotrim, inclusive, apresentou um requerimento na tarde de ontem pedindo a renúncia do presidente da Câmara Valdenor Cardoso, a anulação da sessão extraordinária da quinta-feira e a criação de uma comissão parlamentar para averiguar as irregularidades ocorridas na sessão citada.
O vereador Valdenor Cardoso manifestou-se bradando que este bloco também se utilizou de manobras e tentou obstruir o processo tentando derrubar o quorum, mas que não conseguiu e, de forma irônica, aconselhou os vereadores que não continuassem com este procedimento para que não perdessem mais os processos de votação e discussão.
O que se viu na Câmara dos Vereadores, nestes últimos três dias, foi a passagem de um rolo compressor no processo de discussão e votação do PDDU, desrespeitando as vozes contrárias e, infelizmente, tendo o acobertamento da Mesa Diretora da Câmara e do seu presidente que tem o dever regimental de zelar pelo cumprimento das regras que ditam o funcionamento desta Casa legislativa.
Todos sabem que o Plano Diretor mexe com interesses de muita gente poderosa na cidade, mas é lamentável assistir a submissão dos vereadores a estes interesses. O prefeito João Henrique tinha os votos necessários para aprovar o projeto, os vereadores favoráveis ao projeto não precisavam rasgar o Regimento Interno e, tampouco, desrespeitar a Lei Orgânica do Município de Salvador para lograr êxito neste debate.
O Plano Diretor dita regras para o planejamento da cidade nos próximos oito anos, quando, deverá ser, obrigatoriamente, revisto ou então proposto um novo plano. No entanto, as transformações que o plano irá acarretar, como a verticalização da orla, poderão ter se tornadas irreversíveis até lá.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O Fim da CPMF

Como já era esperado por muitos analistas políticos, a proposta de prorrogação da CPMF foi rejeitada ontem pelo Senado Federal, pois não foi atingida a quantidade de 49 votos necessários para esta prorrogação. Dois movimentos foram cruciais neste sentido: o fechamento de questão do PSDB contrário à matéria e a defecção de quadros da base aliada como os senadores do PMDB, Mão Santa, Jarbas Vasconcelos, Geraldo Mesquita Júnior, os do PR, Expedito Júnior e César Borges e o petebista Romeu Tuma.
Com o fim da CPMF o governo vai deixar de arrecadar 40 bilhões de reais. Por mais que se possa argumentar que outras fontes de recursos podem ser sugeridas para cobrir este rombo nas contas públicas, a perda de 40 bilhões de reais causa terríveis dores de cabeça para este governo e provocaria esta mesma reação em qualquer governo. Afinal, o orçamento da União foi proposto pelo governo prevendo obras e ações que incluíam estes recursos e agora que eles não existem mais? O Congresso Nacional prorrogou a discussão sobre o Orçamento da União para fevereiro a fim de que sejam refeitas as contas, agora não contando mais com a CPMF. Em janeiro, o governo apenas poderá gastar com pessoal e obras já começadas. Primeira conseqüência negativa da decisão de ontem do Senado: o PAC, principal programa deste segundo mandato de Lula será prejudicado por este adiamento do Orçamento provocado pela rejeição do imposto do cheque.
Agora, voltando para as causas da rejeição. Vários analistas falaram hoje sobre a responsabilidade do governo que negociou de forma pouco habilidosa com os senadores da base e da oposição e colheu a fragorosa derrota de ontem. Claro que o governo teve suas falhas nesta negociação, como tentar negociar no varejo o apoio de cada parlamentar, mas as responsabilidades da oposição no processo não podem ser relegadas a um segundo plano. É fácil agora a oposição propor um entendimento com o governo inclusive para criar um imposto com as mesmas características voltando os recursos apenas para a saúde, depois de ter rejeitado a proposta feita pelo presidente Lula ontem em que ele afirmava exatamente a garantia de injetar a totalidade dos recursos da CPMF na saúde brasileira. O PSDB com este movimento quer se colocar como o grande partido da democracia, mas não pode negar que recorreu ontem ao método de terra arrasada. Método que, por vezes, foi utilizado pelo PT e pelos outros partidos de oposição no passado. Claro que era mais difícil o governo perder em várias matérias na época de FHC devido ao rolo compressor construído no Congresso Nacional pelos partidos que apoiavam o ex-presidente da República.
Além disto, vale a pena ressaltar que muitos senadores reclamaram da pressão feita pelo governo em relação aos parlamentares da base de sustentação para que eles votassem a favor do imposto. A fala do senador paranaense do PDT, Osmar Dias, foi elucidativa para que não se tenham percepções parciais das pressões exercidas durante a discussão desta matéria. Segundo o senador, ele sofreu pressão tanto do governo quanto da oposição. Ou alguém ainda duvida que a pressão feita pelos Democratas em cima dos senadores César Borges e Romeu Tuma exigindo que eles votassem contra a CPMF em troca da preservação dos seus mandatos foi um fator importante na tomada de decisão deles. Vale a pena ressaltar que o único senador que os Democratas pediram a vaga por ter mudado de partido foi o senador Edison Lobão que foi para o PMDB e, coincidentemente, votou a favor da CPMF na noite de ontem.

CPMF cai, mas DRU é prorrogada

Acabou agora a votação destas duas importantes matérias. A CPMF foi extinta pelo Senado Federal e a DRU foi prorrogada. Mais tarde análise sobre esta decisão tomada pelos senadores da República.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Chávez perde no Referendo

Neste final de semana, as atenções do mundo se dividiram para dois acontecimentos políticos importantes. O primeiro foi as eleições parlamentares na Rússia, onde o partido do atual presidente Vladimir Putin saiu fortalecido e o outro foi o referendo na Venezuela, onde o resultado surpreendeu, pois o presidente Hugo Chávez acabou vendo o "Não" prevalecer sobre o "Sim" em relação à sua proposta de Reforma Constitucional.
Esta foi a primeira derrota eleitoral em nove anos do atual governo venezuelano e tem vários aspectos importantes. O primeiro aspecto é que este resultado serve para diminuir a soberba com a qual Chávez estava pensando o jogo político, ele estava convicto de tudo e dizia que o povo venezuelano apoiava todas as suas ações. Isto se mostrou falso neste final de semana, apesar do resultado ter sido muito apertado. Ficou em torno de 51% nos dois blocos de votação - As propostas de mudanças constitucionais foram divididas em dois blocos.
O outro aspecto importante a ser salientado foi que este referendo e este resultado serviu para comprovar o que alguns analistas brasileiros falavam. Existe sim na Venezuela uma democracia, por mais que se possam discutir os métodos e procedimentos chavistas. A derrota e o reconhecimento dela permite a Chávez mostrar que respeita as decisões soberanas do povo venezuelano. Um raciocínio, porém, se faz necessário, qual seria o comportamento dos analistas internacionais se a vitória tivesse sido do "Sim"? Estariam com certeza dizendo ser um resultado provocado pelo cerceamento da liberdade de imprensa e exercício de uma oposição livre e representativa. A oposição não deixou de existir, apesar dela ter se retirado das últimas eleições e nem a imprensa livre foi reprimida pelas forças chavistas. O que não significa que Chávez não tenha pensado nestas possibilidades durante seus arroubos ditatoriais.
O último aspecto que não pode passar despercebido é que o "Não" foi a vitória de um número grande de estudantes que se articularam para que isto acontecesse e, mais ainda, da oposição que antes desta eleição estava dividida e era dada como morta por muita gente. A derrota no referendo foi uma derrota ao presidente, já que ele tinha aparecido na semana passada dizendo que quem votasse no "Sim" estaria votando nele.
Os próximos movimentos do governo venezuelano vão ser acompanhados de perto pelo povo da Venezuela e por quem se interessa em política internacional, ainda mais quando se trata de um país tão próximo e prestes a ingressar no Mercosul. Por falar nisso, qual será o argumento dos Democratas agora para ser contra à entrada da Venezuela neste bloco econômico? Afinal, eles dizem ser contrários pela Venezuela ser uma ditadura. Na Ditadura Militar brasileira, nenhuma proposta do governo foi derrotada. Aliás, quantos referendos foram feitos no Brasil durante os anos de ferro apoiados pelos políticos que hoje estão nos Democratas? Para quem não sabe a resposta, nenhum.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Hugo Chávez, democracia, "Por que não te calas?" e reeleição de Lula

Nos últimos meses, o tema da vontade do PT em que Lula possa ser reeleito mais uma vez não sai da cobertura feita pelos meios de comunicação. Chega a ser cansativa a presença deste assunto. Alguns poderão argumentar que a culpa é do presidente que, ao elogiar Hugo Chávez ou ao falar da permanência de governantes em outros países por muitos anos a frente dos seus governos, confunde a opinião pública nacional, escondendo a vontade de se reeleger novamente. E aí não interessa ele ter negado este plano inúmeras vezes. Não adianta o presidente nacional do partido do presidente, PT, e mais oito partidos se manifestarem repudiando a tese de terceiro mandato para Lula. Os colunistas colocaram isto na cabeça e só um milagre para eles deixarem de acreditar nesta hipótese.
O
problema na permanência desta tese na linha de frente das discussões políticas no país é que formas de aperfeiçoar a democracia brasileira, como referendos, plebiscitos, passam a um segundo plano nesta discussão. É importante salientar que a discussão do terceiro mandato de Lula surgiu de um projeto de lei dos deputados federais Devanir Ribeiro (PT/SP) e Carlos William (PTC/MG) permitindo o Executivo convocar plebiscitos e referendos sobre qualquer assunto. Incluindo aí, a segunda reeleição de cargos executivos. Então o que aconteceu? Os meios de comunicação passaram a dar uma ênfase maior à reeleição e negligenciaram a discussão sobre a participação popular direta. Não há a necessidade de implementarmos formas mais eficientes de convocação de plebiscitos e referendos e facilitar a aprovação de leis de iniciativa popular? Apenas um plebiscito, um referendo e uma lei de iniciativa popular foram implementadas no Brasil desde 1989.
Agora se questiona o apoio de Lula à democracia venezuelana. Há vários aspectos críticos naquela democracia, um exemplo, a repressão feita sobre os estudantes venezuelanos que protestavam contra a aprovação da Constituição venezuelana e não cabe dizer que eles eram filhos da classe média branca, mesmo se forem, eles têm todo o direito de protestar. (Vejam o Cansei, por mais que se discorde dele, ele tem o direito de existir), mas Chávez não cassou a oposição ao seu governo, como podem fazer pensar alguns veículos noticiosos nacionais. A oposição, prevendo uma derrota acachapante, de forma não democrática, desistiu de ocupar o espaço que era seu por direito nas eleições daquele país e permitiu a vitória dos candidatos governistas ao Senado e à Câmara. Agora, o Congresso aprova todos os seus projetos e a mesma oposição que se recusou a participar do processo democrático, reclama da existência de um golpe e que o governo venezuelano é ditatorial.
O presidente da potência petroleira abusa sim, mas todas as suas declarações são recebidas de forma crítica no Brasil. Um exemplo, Chávez afirmou que irá desenvolver um projeto de energia nuclear na Venezuela para bens pacíficos, assim como acontece no Brasil e na Argentina, eis que o Jornal Nacional afirma ser esta uma nova polêmica feita por este presidente. Qual é a polêmica? Não é um direito de qualquer país no mundo utilizar fontes nucleares de energia, por mais que se possa ser contra por não ser uma das energias mais limpas do mundo, o direito deve ser assegurado igualmente para todos, até porque ninguém acha polêmico os Estados Unidos ampliarem o uso da sua energia ou pior, o seu armamento militar.
Para fechar, não se pode deixar de citar o "Por que não te calas?" do rei Juan Carlos de Espanha em relação às acusações de Chávez sobre o facismo do governo de José María Aznar. A cúpula ibero-americana, com certeza, não era o espaço mais apropriado, do ponto de vista diplomático, para que o presidente venezuelano se manifestasse sobre o ex-presidente espanhol ou sobre a exploração feita pela Espanha na época colonial, mas é incompreensível a comemoração da resposta do rei. Um incidente diplomático que pode atrapalhar as relações de duas nações do mundo não deveria ser motivo de comemoração para ninguém, mesmo que tenha chegado a hora de Chávez dar uma maneirada em suas falas. Agora, uma pergunta: não passou da hora da Espanha se desculpar, como o presidente Lula fez em viagem à África, pela exploração feita por aquela nação dos povos latino-americanos?

Vejam o vídeo da Cúpula a seguir:

sábado, 10 de novembro de 2007

PED 2007 - Eleições do PT

Hoje, dia 10 de novembro, aconteceu, em Salvador, o quinto debate dos candidatos à presidência nacional do Partido dos Trabalhadores. O primeiro turno está marcado para o dia 2 de dezembro e o segundo turno será realizado no dia 16 do mesmo mês. Dos sete candidatos, apenas o candidato da chapa "Construindo um Novo Brasil", formada por membros do ex-Campo Majoritário, o deputado federal Ricardo Berzoini não compareceu ao debate de Salvador. Dos sete candidatos, quatro têm mais chances de chegarem ao segundo turno. São eles Ricardo Berzoini, Jilmar Tatto, José Eduardo Cardozo e Valter Pomar.
Naturalmente, as chapas defendem propostas distintas para os próximos anos do PT, mas dois pontos que as unem são as críticas ao candidato Berzoini e a necessidade do PT ter maior independência na relação com o governo Lula. Tirando estes dois consensos, uma diferença parece ser crucial. Enquanto as chapas "Mensagem ao Partido", "A Esperança é Vermelha", "Partido é Pra Lutar" e
"Militância Socialista" acreditam na defesa do governo Lula, as chapas "Programa Operário e Socialista" e "Terra, Trabalho e Soberania" defendem ser necessária a criação de um governo do PT, não sendo o governo Lula, um governo que simbolize as idéias do partido.
O deputado federal José Eduardo Cardozo, candidato da chapa "Mensagem ao Partido" falou dos diversos apoios que a sua chapa vem recebendo como os dos intelectuais Paul Singer, Marilena Chauí, Maria Vitória Benevides, Maria da Conceição Tavares, dos governadores Jaques Wagner, Ana Júlia Carepa e Marcelo Déda. Além de outras lideranças do partido e do governo como Olívio Dutra, ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, ministro da Justiça, Fernando Haddad, ministro da Educação, entre outros. Cardozo afirmou que sua chapa não é fruto de nenhuma tendência específica do partido e que, se for eleito, fortalecerá o partido e a democracia interna do mesmo, não permitindo que o PT fique a mercê da decisão de uma minoria.
Para ele, a mentalidade que existe no PT de que quem não pensa igual deve ser colocado para fora do partido deve acabar. Cardozo defende ainda a construção de um Código de Ética para o PT. Além do apoio de Wagner, na Bahia, o deputado federal de São Paulo tem o apoio do deputado federal Walter Pinheiro, que, inclusive, integra a chapa nacional.
O atual secretário de relações internacionais do PT, Valter Pomar, candidato da chapa "A Esperança é Vermelha" afirmou que sua chapa tem dois objetivos principais: acabar com a crise do partido que ainda continua e construir uma candidatura petista para 2010. Além disto, Pomar disse ser fundamental que o PT ganhe as eleições de 2008, se reaproxime das forças populares e de esquerda partidárias e dos movimentos sociais e que o partido defenda uma candidatura petista em 2010. Pomar disse que o Partido dos Trabalhadores precisa de dirigentes que digam aos petistas que ocupam cargos públicos que eles estão errados quando assim estiverem. Pomar tem o apoio, na Bahia, dos deputados federais Nelson Pelegrino e Guilherme Menezes.
Pomar aproveitou para criticar as entrevistas do governador Jaques Wagner ao jornal O Estado de São Paulo, na qual Wagner afirmou que o bom momento econômico vivido pelo Brasil começou há 13 anos atrás com a implantação do Plano Real e a do senador Tião Viana que afirmou, em entrevista à revista Isto É, que o PT e o PSDB são partidos irmãos. As críticas a Wagner foram respondidas por Cardozo que, em agradecimento ao apoio recebido por Wagner, disse que o PT não pode desmerecer a importante trajetória do governador da Bahia.
Outro candidato com grandes possibilidades de chegar ao segundo turno, o deputado federal Jilmar Tatto, disse que o PT precisa ser independente em relação ao governo, construindo uma relação institucional com o governo Lula. Segundo ele, o que se tem hoje, é uma relação entre pessoas e não, entre o partido e o governo. Para ele, a militância do partido deve continuar se mobilizando, pois foi ela que salvou o partido na crise de 2005.
Há informações de bastidores que dizem que os eleitores de Tatto não votariam em José Eduardo Cardozo, em um provável segundo turno contra Berzoini e vice-versa. Esta desavença pode favorecer Valter Pomar, pois ele pode ser visto como candidato capaz de articular em torno de si as outras candidaturas e derrotar Ricardo Berzoini. Talvez prevendo esta predisposição, Tatto falou, em Salvador, sobre a necessidade da união de todas as chapas contra a "Construindo um Novo Brasil".
O que ficou mais ou menos claro no debate de hoje em Salvador é que, independente de quem vença, se um dos seis candidatos que estiveram na capital baiana ganhar, o PT caminhará para ter um candidato próprio em 2010. E os nomes mais fortes, neste momento, parecem ser o de Marta Suplicy, defendida pelos membros da "Partido é Pra Lutar", Dilma Roussef e Patrus Ananias, ministros e nomes que poderão ser defendidos por Lula e pela "Construindo um Novo Brasil", além dos nomes de Jaques Wagner que com a defesa manifestada em relação à "Mensagem ao Partido" poderá ter o apoio dos membros desta chapa e Tarso Genro, um dos maiores expoentes da "Mensagem". 2010 ainda está longe, mas as eleições do PT neste ano representarão um passo importantíssimo para a sucessão de Lula.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Acabou a "Crise" na Cultura?

Desde que assumiu o governo da Bahia, Jaques Wagner e seu secretário de cultura Márcio Meirelles resolveram implementar um novo projeto para a área. Na verdade, a inovação se deu já em ter uma secretaria apenas para a cultura, pois, nos governos passados, era uma secretaria para as áreas cultural e de turismo, o que sempre deu em muita confusão entre o que é cultura e o que é atração turística, acarretando em muita produção cultural ter se transformado em produto turístico, o que poderia acabar com a essência cultural de certas manifestações artísticas.
Depois de alguns meses, no entanto, as reclamações começaram a aparecer. A iniciativa do governo Wagner de redistribuir as verbas, repassando mais dinheiro para o interior do estado recebeu duras críticas de pessoas importantes como o ator e diretor teatral Gideon Rosa. Gideon afirmou que esta redistribuição era injusta e como conseqüência colocaria os artistas do interior contra os artistas da capital e transformaria todos em mendigos de repasses públicos.
Além disto, vários artistas reclamaram sobre a demora de apresentar um novo projeto cultural para o estado, porque muitos projetos anteriores haviam sido suspensos para avaliação do novo governo que se iniciava.
Até a primeira dama do estado Fátima Mendonça se manifestou, em entrevista, pedindo mais rapidez na implementação da nova política cultural. Somaram-se a esta demora, as "crises" na Fundação Casa de Jorge Amado, no Museu Carlos Costa Pinto, as manifestações de figuras como o escritor João Ubaldo Ribeiro e a diretora teatral Aninha Franco e pronto, estava configurada a crise do setor cultural da Bahia.
As coisas, porém, parecem estar mudando em relação à tal "crise" na cultura baiana. Em duas semanas, os shows realizados no Pelourinho que haviam sido suspensos voltaram a acontecer; o programa "Sua Nota é Um Show" foi relançado e ampliado, oferecendo agora, além dos shows e jogos de futebol, filmes e outras produções culturais; a Fundação Cultural lançou um pacote de editais; foi assinada a participação da Bahia no programa "Mais Cultura", o PAC da Cultura do Governo Federal. Até quem criticou, passou a se manifestar de maneira diferente. Aninha Franco, protagonista do início da tal crise, deu entrevista ao jornal Correio da Bahia dizendo que as confusões dela com a secretaria foram decorrentes de um problema de comunicação, afirmou inclusive que o diálogo está avançado e que o Teatro XVIII, espaço que ela dirige, será reaberto ainda este mês.
Agora, cabem algumas perguntas: a crise realmente era crise ou os problemas receberam um destaque maior do que realmente mereciam? A Secretaria de Cultura já tinha tudo planejado ou algumas ações foram adiantadas para responder às críticas que estavam sendo feitas (A programação no Pelourinho, por exemplo, parece estar da mesma maneira que antes, apesar do governo afirmar que os moradores do Pelourinho terão uma atenção especial do governo)? Agora, uma pergunta que já vem com uma resposta: cadê a cobertura destas ações do governo e as análises pelos meios de comunicação e jornalistas sobre se estes atos são realmente positivos para a Bahia? Ninguém sabe, ninguém vê e a sensação que fica é que alguns profissionais da imprensa gostam de sensacionalismo e não de jornalismo. Claro que não se deve fazer jornalismo chapa branca e nem ser o diário oficial do governo, mas se deve ao menos pensar sobre se estas ações são realmente importantes para a melhoria da cultura do Estado. Afinal, não é isso que todos os críticos querem ou diziam que queriam?

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Aumenta a Temperatura da Política Baiana

E pensar que havia muito comentarista político com medo da política baiana ficar insossa com a morte do senador ACM, tamanha era a capacidade do histórico líder pefelista em conseguir aliados e inimigos, mas o que se tem visto nos últimos meses é o aumento da temperatura das discussões sobre as políticas do governo Wagner e das sucessões municipais, em especial, a sucessão soteropolitana. A oposição, que, finalmente, parece ter chegado ao menor patamar possível na Assembléia Legislativa, após o troca-troca habitual, há alguns meses, não esperou nem passar a chamada quarentena pós-eleição, começou a usar a sua metralhadora giratória em direção ao que tem sido, por enquanto, vidraças do novo governo da Bahia: as secretarias de Cultura e Saúde. Não são poucas as notícias veiculadas sobre a crises nestas duas áreas.
Os aliados do governo não deixam uma acusação sem resposta, afirmam que não há crise alguma e que a situação deixada pelo ex-governador era lastimável e a nova administração tem empenhado enormes esforços para implementar uma nova forma de gerir o estado. Esta disputa entre as duas maneiras de concepção da gestão do estado é saudável e merece ser comemorada. Afinal de contas, o que menos acontecia, nas administrações passadas, era a repercussão das discussões sobre as políticas governamentais estaduais.
Quanto à sucessão municipal, gerou muita repercussão a decisão do PCdoB em lançar candidatura própria permanecendo na gestão João Henrique. O ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima, do mesmo partido do prefeito, PMDB, disse que os comunistas têm todo o direito de indicar alguém para a sucessão na capital, mas devem se retirar da administração municipal, como fizeram os tucanos. O PCdoB, no entanto, não entende desta maneira e, para ele, o assunto já havia sido esclarecido quando fizeram a repactuação com o prefeito de Salvador. Manifestações surgiram dos dois lados, mas o principal interessado nisto, o prefeito João Henrique, permanece em silêncio, como se nada fosse com ele. E claro que, evidentemente, é com ele. Afinal de contas, se o prefeito, membro do PMDB, não quiser mais a companhia do PCdoB, pode simplesmente pedir os cargos de volta. Agora, se ele terá a coragem de abrir mão do apoio e do voto dos quatro vereadores comunistas na Câmara Municipal de Salvador, já é outra história.
Outro destaque que merece a atenção de todos foi a ameaça que o jornalista Samuel Celestino disse ter sofrido. Segundo o colunista do A Tarde, o vereador Beto Gaban o teria ameaçado de agressão e morte. O assunto precisa ser esclarecido rapidamente. Se for confirmada a denúncia do jornalista, Gaban pode até ser cassado e preso. Se não for confirmada, o jornalista deve pagar na justiça por ter caluniado o vereador que, inclusive, decidiu abrir processo contra Samuel.




sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Renan sucumbiu às pressões

Após mais de quatro meses do início de uma crise que varreu toda a autoridade acumulada por Renan à frente da presidência do Senado Federal, uma decisão esperada por todos que acompanham o mundo político finalmente aconteceu: Renan se licenciou do cargo por 45 dias. A situação de Renan foi se deteriorando no decorrer destes dias e uma situação que, a priori, parecia favorável ao senador, inclusive, com a sua absolvição pelo plenário, terminou com a decisão tomada pelo parlamentar alagoano na noite de ontem.
Renan abriu mão do cargo e disse que saía porque não precisava dele para se defender. Disse, inclusive, que fazia isto para que as acusações de que estava utilizando o cargo institucional em benefício próprio não continuassem. Renan errou e não foi pouco e viu a sua situação se deteriorando, o primeiro erro foi a ameaça aos senadores oposicionistas, segundo erro: a demora em se licenciar do cargo não cumprindo o acordo feito em deixar o cargo depois da absolvição recebida no primeiro processo e, terceiro erro: pressionar pelo afastamento de Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon da CCJ do Senado.
Depois de todos estes fatos, a discussão passou a ser até quando Renan agüentaria na presidência do Senado. Não há uma só pessoa que acredite na volta dele, depois de tanta perda de poder e representatividade. Agora, Renan vai lutar pela manutenção de seus direitos políticos e pelo mandato dado pelo povo das Alagoas. A oposição e parte da base aliada não parecem estar a fim de dar uma segunda chance a Renan e os próximos dias prometem ser de intensas negociações que já começaram com a movimentação de políticos tucanos amigos de Renan como o governador alagoano Teotônio Vilela Filho e o senador, pelo mesmo estado, João Tenório.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Wagner Montes e Raimundo Varela

Ainda falta um ano para as próximas eleições municipais, mas um fenômeno percebido pelas pesquisas já começa a chamar a atenção. Na segunda e terceira capitais mais populosas do país, Rio de Janeiro e Salvador, duas pessoas quase sem tradição nenhuma na política lideram as primeiras sondagens realizadas entre os eleitores. As duas figuras são Wagner Montes e Raimundo Varela.
Para quem não conhece as duas figuras, um breve histórico. Wagner foi durante anos, jurado do Sílvio Santos, além disto, tem um programa local no Rio de Janeiro para ajudar pessoas carentes da capital fluminense. A diferença para o seu semelhante baiano é que Wagner Montes é deputado estadual do Rio, enquanto Varela nunca ocupou nenhum cargo político.
Raimundo Varela tem história no radialismo baiano, está na TV Itapoan desde o início e, hoje em dia, tem o programa Balanço Geral. O programa tem o mesmo formato que o de Wagner Montes, ou seja, a ajuda à população necessitada é a tônica do seu espaço na TV.
Esta imagem atribuída a estes dois personagens pode contribuir para o entendimento dos sucessos nestas primeiras pesquisas realizadas. O apelo emocional e populista, há quem diga que é popular, dos seus programas, como defensores dos fracos e oprimidos, acaba agradando uma parte da população que vê nestas figuras, pessoas capazes de transformar as suas realidades. Eles gozam de índices de audiência expressivos, ocupando ora segundo lugar, ora o terceiro nos institutos de medição, o que dão a eles uma visibilidade que muitos candidatos ainda não possuem.
Alia-se a isto, o fato de um suposto cansaço da população com os chamados políticos tradicionais, após uma sucessão de escândalos que parecem não ter fim e pronto, está explicada a receita do sucesso destes comunicadores.
Wagner Montes, muito provavelmente, vai ser candidato pelo PDT, na base mais fiel ao criador deste partido, Leonel Brizola. Raimundo Varela é cortejado por alguns partidos, mas o mais provável no momento é que ele seja candidato pelo PRB, visto que já existem faixas e tudo atrelando Varela ao Partido Republicano Brasileiro. O que eles podem produzir como políticos é uma incógnita, se eles saberão administrar cidades tão grandes, importantes e problemáticas quanto Rio e Salvador é um mistério maior ainda, mas parece que, neste momento, isto pouco importa.